Ewerton Duarte

Passa rápido… Amanhã (16), às 22h45, será levada ao ar a grande final da 13ª edição de “A Fazenda”, reality show de maior sucesso da Record TV. Ao longo de seus 94 episódios, o programa entregou de tudo: expulsão, desistência, brigas, casaco rasgado, bordões, guerra de fandons, briga externa entre familiares e ex-participantes, suposto estupro, separações, traições e momentos engraçados. Foi uma temporada com um elenco completamente chato e sem carisma, aonde presenciamos favoritos se tornarem odiados e o contrário e é nesse ponto que vou adentrar: a trajetória de Ricardo Melquiades, o nosso malvado favorito.

CANCELADO

Com uma passagem polêmica no “De Férias Com o Ex” (MTV), o humorista se tornou cancelado, diante de vários ataques de ciúmes, desnecessários, por sinal. Muitos, incluindo a classe LGBTQIA+, expressaram sua revolta nas redes sociais e ao saberem da confirmação do peão no reality rural, já se organizaram para tirá-lo, pois, ninguém estava preparado para aturá-lo pelos próximos três meses em cadeia nacional. Logo na estreia, o nome de Rico figurou entre os assuntos mais comentados, por ter protagonizado uma pequena desavença com a modelo Dayane Mello durante uma votação para definir a primeira baia da edição, como a moça era favorita e o nome mais contagiante da lista (contém ironias), os internautas se revoltaram. Veja a seguir alguns tweets

RICO X DAY

Desde o início, Day e Rico se estranharam, estamos falando de duas forças da “natureza” dentro do jogo. Uma era favorita por ter sido defendida por brasileiros na Itália e o outro cancelado. Tinha tudo para o rapaz dar adeus a competição. Ao perceberem semelhanças, por mais raras que sejam, ambos decidiram se unir no jogo, formando o grupo mais forte da temporada, fazendo com que Rico virasse a chavinha para o público e se tornasse um dos favoritos, ao perceber isso, a cobra caninana decidiu que tinha que brilhar sozinha e implodiu o que era o G5. Sem carisma, grossa, fria, calculista e, sobretudo, preconceituosa, a modelo perdeu todo o protagonismo para o humorista, que soube se aproveitar disso e exalar uma excelente leitura de jogo com inteligência emocional e estratégica, que aliada ao carisma, fez dele o lado mais forte.

NÃO SE ENVERGONHA DE SI MESMO

É fato que toda celebridade, ao adentrar em um reality show, tente mostrar ao público “seu melhor lado”, de modo a não prejudicar sua carreira ou perder a fonte de dinheiro que são seus seguidores, por isso, presenciamos figuras públicas vestidas em personagens que buscam, nada menos, do que conquistar o telespectador menos pensante. Rico fugiu de todos esses padrões que prezam exalar a falsidade mais íntima do caráter duvidoso da fama e se prestou a mostrar suas imperfeições aos milhões de telespectadores. Não, ele não acha isso bonito, até porque, quem se orgulha de seus erros? O alagoano reconhece seus exageros e defeitos e usa-os como aprendizados, sem medo de cancelamento, pois, ele é real. De origem humilde, não esconde sua ambição na vida, em poder crescer, ser mais famoso e proporcionar a família, realizações que outrora pareceriam impossíveis. Perdeu o pai cedo, sofreu homofobia a vida inteira, mas foi homem em uma das demonstrações mais corajosas da vida: se assumir e se aceitar, pois, qualquer forma de amor é válida. Dentro do jogo sofreu ataques homofóbicos, como os de Dynho, Gui Araújo, MC Gui e Solange Gomes, mas não abaixou a cabeça e vestiu a camisa do orgulho de ser ele mesmo.

“Eu vivi isso aqui e não vim querendo limpar imagem ou pagar de bom moço, que eu não sou. Eu sou surtado mesmo e vim mostrar que sou do povão, tenho defeitos e qualidades, me doei 100%, não tive medo de cancelamento… Eu fiz tudo, gente. Não me tirem agora!”

Depoimento do peão na última última segunda (13)

MOMENTOS INESQUECÍVEIS

Tem que forçar muito pra dizer que essa edição foi um fracasso, mesmo que não tenha conseguido segurar os números do fenômeno da temporada anterior, pois, ela entregou bons momentos, a maioria, protagonizado por Rico. Como não se lembrar do “Calada vence” ou até do “Cobra Canina”? Sim, ele marcou a edição. Vai me dizer que você não acordava cedo para ver a delegação de tarefas no mandato dele? Jesus tá vendo…
No dia fatídico em que Dayane rasgou o casaco dele com uma faca em um ato minuciosamente pensado, todos esperavam pela reação enfurecida do peão, o que não ocorreu e em uma tacada de mestre, não deu brechas para a adversária se vitimizar em uma situação que ela mesma criou. Foi isso que cavou a cova da personagem que se considera mais europeia que italiana.

RICO E SOLANGE

Uma amizade improvável que nunca imaginaríamos lá no início, após a primeira briga, era entre o “feio” e a “velha coroca”. Descontraídos e dispostos a entender o que o público procura toda noite, ambos se encontraram em um eixo, numa bela amizade que levou Solange até a semifinal do jogo, ao seu lado, mas que acabou nas últimas semanas, após a mesma se aliar ao finalista Arcrebiano Araújo e ficar soberba, ao ponto de comparar pensões alimentícias de casais. Quando saírem, que ambos entendam que juntos são mais fortes, por terem sido as únicas figuras carismáticas da casa. Ah, ela merece a segunda colocação.

PÚBLICO TEF CONCORDA

Portanto, meus amigos, dito isso, Rico Melquiades é o nome da edição. Sem roteiro, imperfeito, resiliente, carismático, entregue e representativo, o moço entregou sem prometer e possui uma das trajetórias mais surpreendentes: de cancelado a protagonista. Ele fez história, ele leu o jogo perfeitamente. Agora, com a final montada, o voto válido é no R7.com/afazenda.

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